quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
28/02/08
E seguia pensando que a brincadeira tinha sido forte demais dessa vez. Não se tratava de um comentário sobre o tamanho da testa dela, ou sobre a voz oscilante dele. Agora tinha sido sério. Duas coisas deram errado. Uma coisa deu certo. Acontece que o que deu certo era verdadeiro, o que deu errado não. É assim que a verdade vence, estava por concluir na cabeça, quando o contorno da letra ficou difícil demais, a posição da mão desconfortável, o som do grafite contra o papel ainda mais alto que o baque solto do maracatu no computador. Aprendera no mar que o tempo vai mudar quando o céu está em longa pincelada de nuvem. Batia um vento gelado, mas o sol, estranho, estava claro e quente. É bem o instante quando se pensa se o que se sabe é mesmo o que se sabe, ou seja, se se sabe realmente. O lugar faz com que ela sibile. Tem alguma coisa que acontece entre o ouvido, o cérebro e a ponta da língua entre os dentes de cima. O livro tem uma capa de mentirinha, que sai e amassa, mas que tem um desenho diferente da capa de verdade. Ela quem tinha desenhao, quando ainda indagava acerca da quantidade de capas que uma pessoa poderia ter. Descobriu, então, que as melhores pessoas são as que têm muitas folhas.
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