quarta-feira, 19 de março de 2008
19/03/08
Cada movimento trazia uma vida diferente. Outra tentativa de guardar cada coisa em sua devida caixa, de tirar retratos e guardá-los lindos, soltos em suas caixas, gavetas grandes, com fechadura e chaves que nem funcionam mais, uma cristaleira pequena, com portas de vidro, que estaria cheia de livros, no corredor, bem ali, onde o quarto vira sala. Vou e volto entre as coisas das quais me lembro, e daquelas que adivinho, ainda. Já. Quase pode dizer as coisas com as mãos e sem os olhos. É uma boa tentativa para se aprender. É só fazer o que sempre soube, do mesmo jeito que sempre soube, deixando cada coisa vir de onde quiser vir e ir para onde quiser ir. Travar batalhas internas só para decidir se vai descansar ou lavar a louça é meio demais, para quem quer que seja. Creio que nem mesmo Virginia Woolf tivesse tanta mistura. E mais, ela com certeza não tinha medo das palavras que escolhia. Tratava-as como rainhas mutiladas. O buraco da palma da mão é fundo demais para que possa dizer que sinto tudo. E assim, no meio, parece que tá dando choque. Me desfaço de mim mesma de vez em quando, sim. Vou para longe e acabo sendo alguma coisa que nunca fui, aí vira só mais uma. Vou virando baralho. São muito poucos os tempos, mesmo que eu não consiga exatamente saber como medi-los. Tudo passa rápido e acabo dando um nó nos olhos, que completam uma volta linda na circunferência da minha cabeça. Faltam poucas coisas, falta poruco tempo. Não sei que horas vai acontecer, logo, pode ser agora, pode já ter sido - passaria tão incólume? Não posso ficar esperando por uma coisa que nem sei se existe, não é? Hum. Dois. Dêle. Was beteutet das, bitte? Nada de cousa.
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Um comentário:
Nada como enxotar as horas voadas... Transformando-as em imortais, Transformando as mentes com doces poemas.
Beijo.
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